segunda-feira, 16 de março de 2009

Chávez usará prisão contra os que se opuserem a suas ordens na Venezuela



Hugo Chávez anuncia em seu programa de TV o uso das Forças Armadas para ocupar portos e aeroportos sob controle da oposição

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ameaçou prender governadores opositores que não acatem a transferência da administração de portos e aeroportos ao poder Executivo, aprovada em uma lei de descentralização. Neste domingo, durante seu programa dominical, "Alô Presidente", Chávez ordenou que as Forças Armadas do país tomassem todas as bases marítimas e aeroportuárias sob controle da oposição. 


A decisão do presidente da Venezuela divulgada neste domingo nada mais é que o cumprimento de uma promessa feita durante a eleição regional de 2008, quando ameaçou usar as Forças Armadas contra os opositores, para, segundo ele, defender o povo e o "governo revolucionário". Chávez advertiu neste domingo que os governadores oposicionistas que se opuserem à decisão correm o risco de ser presos.
A ordem dada por Chávez neste domingo baseou-se em uma lei aprovada na última quinta-feira (12) pelo Congresso --controlado pelo governista PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), denunciada pela oposição como uma tentativa inconstitucional de concentrar o poder político nas mãos do governo central. 

Após a aprovação da lei que permite ao governo nacional tomar o controle do sistema de transportes do país, o governador do Estado de Zulia, o oposicionista Pablo Pérez Alvarez, do partido Um Novo Tempo (UNT), disse que não aceitaria que o processo de descentralização do poder fosse revertido. 

"A aprovação do artigo 8º e as alterações que fizeram na Lei de Descentralização e Transferência de Competência, é como colocarmos uma arma na cabeça e dizermos: vejam, administrem o processo de descentralização, mas vamos fazer o que quisermos", disse Pérez Alvarez. 

Segundo a Constituição de 1999, promulgada por Chávez, "a administração e o uso das estradas e rodovias, bem como os portos e aeroportos, para uso comercial" são "competência exclusiva dos Estados", em coordenação com o governo nacional. 

O governo de Zulia, um dos Estados mais ricos da Venezuela, será um dos mais afetados pela decisão de Chávez, perdendo o controle do porto de Maracaibo. Outro porto que passará ao comando do governo central será o de Puerto Cabello, em Carabobo, governado por Enrique Salas, do partido oposicionista Projeto Venezuela. 

Os dois governadores declararam à imprensa que tentariam "defender" as atribuições que até agora tinham sobre esses portos. 

"O que se passa com esses governadores? Será que acham que aqui vão a fazer algo como a divisão do país? Fiquem em seus lugares!", atacou Chávez durante seu programa dominical de TV, "Alô, Presidente!". "Você [Salas Feo] terá que encontrar uma Marinha de guerra, governador, terá que encontrar um Exército. Não sei o que poderá fazer. Ele disse que vai defender Puerto Cabello, com a polícia de Carabobo. Bem, então vai para a prisão", 

"Nenhum venezuelano pode se declarar acima da lei; ela aprovada para cumprida, e o governo está obrigado a fazê-la ser cumprida", afirmou o presidente. Chávez alegou que as razões para assumir o controle dos portos de Maracaibo e Puerto Cabello é que neles "há máfias ligadas ao contrabando, ao narcotráfico e à corrupção", sem especificar os casos. 

Durante a campanha para as eleições regionais de novembro passado, Chávez liderou vários comícios em favor dos candidatos do PSUV, ameaçando os opositores com prisão e advertindo que a vitória de seus adversários poderia levá-lo a usar as Forças Armadas. 

"Se permitirem que a oligarquia volte ao governo [de Carabobo], vou acabar mandando os tanques da brigada blindada para defender o governo revolucionário e para defender o povo ", disse Chávez, em Carabobo, em novembro. 

O PSUV manteve o controle da maioria dos Estado, mas a oposição dobrou para seis o número de governos estaduais sob seu controle, e venceu nos três Estados com maior número de eleitores --Zulia (2.141.055), Miranda (1.781.361) e Carabobo (1.338.601). 

Logo após a eleição, Chávez ordenou várias mudanças de competência sobre áreas da administração da região metropolitana de Caracas, cujo governo ficou com o líder opositor Antonio Ledezma. O presidente encampou cerca 30 hospitais, o canal Ávila TV, 22 cartórios públicos e todas as 93 escolas da rede metropolitana, esvaziando o poder do adversário antes mesmo de sua posse. 

Veja o gráfico a divisão de poder regional na Venezuela, antes e depois das últimas eleições.Fonte:Folha

domingo, 15 de março de 2009

Funcionários da Sony na França detêm presidente em fábrica

FRANÇA - Funcionários de uma fábrica da Sony no sudoeste da França detiveram o presidente-executivo do braço francês da companhia durante a madrugada para exigir melhores termos de dispensa quando a fábrica fechar em abril. 

Serge Foucher e muitos outros executivos da Sony foram soltos no meio da manhã desta sexta-feira, depois que os trabalhadores obtiveram garantias de que tomarão parte em uma nova rodada de negociações. 

Os funcionários prenderam os gerentes na unidade em Pontonx-sur-l'Adour na noite de quinta-feira e bloquearam a estrada que dá acesso ao local com troncos de árvores, disseram autoridades locais. 

Representantes do sindicato afirmaram que a ação foi o único modo de retomar as negociações sobre pacotes de dispensa que não eram generosos o bastante. 

- Nós esperamos que dessa vez nossas vozes serão ouvidas - disse o membro do sindicato Patrick Hachaguer à Reuters por telefone, conforme os empregados e os gerentes libertados embarcaram em um micro-ônibus para ir até os escritórios do governo local para retomar as negociações. 

Os nervos tem estado à flor da pele na França, atingida como outros países ao redor do mundo por uma onda de fechamentos de fábricas e dispensas temporárias massivas devido à crise econômica global. 

Trabalhadores em uma pequena cidade do norte do país arremessaram ovos e insultaram executivos na quinta-feira em protesto contra o fechamento da fábrica de pneu pelo grupo alemão Continental, que eliminaria 1.120 empregos. 

A unidade da Sony em Pontonx-sur-l'Adour, que emprega 311 funcionários, deve fechar em 17 de abril. A visita de Foucher às instalações na quinta-feira foi a última antes do término das atividades. 

A Sony considerou a possibilidade de converter unidade para fabricação de painéis solares em vez de componentes magnéticos, mas descartou o plano, enfurecendo os trabalhadores que esperavam manter seus empregos. 

Autoridades locais mediaram a situação para evitar uma intervenção policial, que poderia ter aumentado as tensões. Fonte:JB-13/03/2009

segunda-feira, 9 de março de 2009

Obama quer petróleo de Lula, diz 'El País'

O Brasil e os Estados Unidos estariam mantendo contatos informais com o objetivo de fechar um acordo para aumentar a exportação de petróleo e derivados brasileiros para o território americano, segundo informa, nesta segunda-feira, o jornal espanhol El País . Segundo o diário, o governo de Barack Obama quer pôr fim à sua dependência energética da Venezuela. 

"Se o pacto comercial se concretizar - algo que hoje depende unicamente do Brasil - a consequência mais direta será o deslocamento da Venezuela do mercado energético americano, onde atualmente consegue colocar entre 40% e 70% de sua produção petrolífera", afirma o El País.

O jornal diz que recebeu de fontes diplomáticas e governamentais de Brasília a confirmação de que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem interesse em aumentar a presença brasileira no mercado americano de hidrocarbonetos, "mesmo que isso implique em uma colisão frontal com os interesses venezuelanos".

"Tudo dependerá da quantidade que petróleo que a Petrobras consiga bombear nos próximos anos dos poços perfurados nos litorais de Rio e São Paulo, assim como do marco jurídico que Washington e Brasília assinem", diz o jornal.

O El País afirma que suas fontes em Brasília insistem em que o primeiro objetivo do governo Lula com os recém-descobertos campos de pré-sal é abastecer totalmente o mercado interno e deixar de depender das importações. "Uma vez atingida esta meta, a Petrobas entrará na rinha pelos mercados mundiais de hidrocarbonetos e derivados. Por causa da proximidade geográfica e da fluidez do diálogo político que já estabeleceu com o novo presidente, os Estados Unidos se convertem no grande comprador natural do 'ouro negro' brasileiro."

O jornal lembra que 11% das importações americanas de petróleo vêm da Venezuela, mas que o governo dos Estados Unidos já está "de olho" há meses nos novos campos de petróleo encontrados no Brasil, tendo, inclusive, reativado sua frota para a América do Sul e o Caribe, composta de 11 embarcações.

"Ainda que não se conheça as reservas exatas, sabe-se que o petróleo encontrado no litoral brasileiro é abundante: se forem cumpridas as previsões, o Brasil passará a ser o oitavo ou o nono produtor do planeta", diz o diário espanhol. "A previsão é que haja petróleo para exportar não só para os Estados Unidos, como também a outros países que já se mostraram interessados, como a China e o Japão."
Mas o El País afirma que o Brasil teria um interesse maior em vender derivados, como a gasolina, "o que é mais rentável do que a venda de barris de petróleo cru".

"Isso explica por que Lula decidiu apostar em uma grande injeção de capital na Petrobras, para a construção de quatro novas refinarias e na ampliação de outras tantas já existentes", diz o jornal. "O negócio já está andando."

terça-feira, 3 de março de 2009

Universidade de Londrina faz operação antitrote, mas calouros são até pisoteados

A UEL (Universidade Estadual de Londrina, PR) preparou todo um esquema para evitar trotes violentos no início do ano letivo, incluindo o uso de 215 câmeras de vigilância e a atuação de 140 vigilantes pelo campus. Nada disso adiantou e agressões contra calouros aconteceram fora do campus da universidade.

O caso mais grave ocorreu no curso de agronomia, onde foram registradas ontem cenas de alunos sendo obrigados a ficar deitados em uma rua de terra e a ser pisoteados por veteranos. Outros calouros também foram agredidos com ovos.

A reitoria da UEL também identificou trotes violentos contra calouros dos cursos de psicologia, veterinária e direito. Mesmo ocorrendo fora do campus, o reitor Wilmar Marçal disse que irá acionar o diretores de centros para identificar os responsáveis. A UEL tem imagens dessas agressões.

Marçal fez um apelo aos calouros que se sentiram humilhados ou constrangidos pelos trotes para que façam um boletim na Polícia Civil. ''Com o boletim teremos amparo legal para duras medidas contra os infratores'', disse.

A UEL havia se preparado para o início do ano letivo com reuniões com diretores de centro e alunos dos CAs (Centro Acadêmicos) para evitar os trotes abusivos. O objetivo era evitar constrangimento como o ocorrido no final do ano letivo passado, quando formandos de medicina foram flagrados soltando rojões e com bebidas alcoólicas no saguão do HU (Hospital Universitário).

Na época, o reitor, com apoio do Conselho Universitário, suspendeu a formatura de 14 alunos identificados por câmeras de segurança. Os alunos, porém, se formaram após decisão favorável da Justiça.Fonte:Folha

Japão emprestará US$ 5 bi de suas reservas a empresas

Tóquio, 3 mar (EFE).- O Governo japonês utilizará US$ 5 bilhões de suas reservas de divisa estrangeira para aliviar a escassez de fundos em dólares das empresas locais, anunciou hoje o ministro da Economia, Kauro Yosano.

Os fundos sairão dos cerca de US$ 1 trilhão em divisas que o Japão possui e serão distribuídos em forma de crédito através do Banco Internacional de Cooperação do Japão (JBIC), ainda em março.

Segundo informa hoje o diário econômico "Nikkei", a Toyota foi uma das primeiras a solicitar essa ajuda, pois espera conseguir um empréstimo de US$ 2,06 bilhões para garantir suas operações nos Estados Unidos.

Yosano assegurou que a ajuda é de caráter extraordinário e tem como objetivo "aliviar as condições financeiras das empresas que operam no Japão e no exterior, já que a economia poderia piorar por volta do final do ano fiscal", que termina em 31 de março, segundo informou a agência de notícias local "Kyodo".

Braço financeiro da Toyota pede ajuda a governo japonês







A filial financeira do grupo automobilístico Toyota anunciou nesta terça-feira que vai solicitar um empréstimo ao governo japonês, devido à crise econômica mundial. A Toyota não revelou o valor a ser solicitado, mas segundo a agência de notícias Jiji, é algo em torno de 1,7 bilhão de euros.

O empréstimo será pedido ao Banco Japonês de Cooperação Internacional (JBIC), organismo paragovernamental cuja missão principal é apoiar a expansão das empresas japonesas no exterior.

"É uma medida destinada a diversificar nossas fontes financeiras, no momento em que a situação está cada vez mais difícil no mercado internacional, especialmente nos Estados Unidos", disse à AFP um responsável da Toyota Financial Services, Mio Sugito.

Se o crédito for concedido, será o primeiro empréstimo do JBIC a um fabricante de automóveis.

Toyota, a primeira montadora do planeta, sofre com a crise em seus principais mercados, especialmente nos Estados Unidos.

O gigante japonês prevê terminar o exercício 2008-2009, no final de março, com um enorme prejuízo.

Minas de carvão têm futuro sombrio na Rússia


Acima da segunda maior mina de carvão a céu aberto do mundo, em Korkino, nos Montes Urais, na Rússia, só se ouve o vento glacial soprando. Um silêncio raramente interrompido por um ruído surdo, vindo debaixo, a mais de 600 metros de profundidade, onde a extração do carvão se dá com dificuldades. Nessa região carvoeira do coração da Rússia, a indústria já está mal há alguns anos: o gás substituiu o carvão para alimentar as centrais elétricas, enquanto o carvão extraído é de uma qualidade cada vez mais baixa.
Com a crise econômica atual, a indústria do carvão sofre um novo choque, do qual ela pode não se recuperar. Desde dezembro de 2008, milhares de mineradores não são mais pagos, e agora já se fala em simplesmente se fechar as minas.

Uma catástrofe para as cidades que não conheciam nenhuma outra indústria além da carvoeira.

"Antes, isso aqui fervilhava", lembra Viktor Belov, ex-minerador em Korkino, apontando o enorme abismo de três quilômetros de circunferência. Hoje, são raros os vagonetes que circulam nos trilhos que envolvem a "Xícara", como chamamos aqui essa cratera monstruosa. Do cume, conseguimos ver algumas máquinas ao fundo, que parecem minúsculas por causa da distância, mas a atividade é mínima.

No entanto, a cidade de Korkino só existe em função da Xícara. Quando a extração carvoeira começou, nos anos 1930, ela não passava de uma aldeia. Hoje, é uma cidade de 60 mil habitantes que circunda a Xícara, enquanto uma segunda mina, subterrânea, foi perfurada nas proximidades. Situada a cerca de 50 quilômetros da capital regional, Tcheliabinsk, a cidade de Korkino constitui, junto com os municípios de Kopeisk e Emangelinsk, um dos três locais de extração da Companhia Carvoeira de Tcheliabinsk (TchOuK).

"Há alguns anos, havia 3.500 mineradores na Xícara", lembra Oleg Kirtch, assessor municipal em Korkino. "Agora, eles não passam de 1.200, às vezes com semanas de trabalho de dois dias, no máximo. O que vai ser dessa cidade? Não há nada além da mina. E como os mineradores poderão mudar de ramo, com um nível baixo de educação, e tendo, em sua maioria, mais de 40 anos? Não há nenhum projeto para esta cidade, nenhum plano anticrise. O Estado se esqueceu de nós".

Os salários também foram esquecidos. Em dezembro, os mineradores de Korkino só receberam uma parte ínfima do que lhes era devido, mais nada. No fim de janeiro, um pequeno grupo improvisou uma greve sem o apoio do sindicato oficial, subordinado à direção da TchOuK.

"Todos os empregados da mina seguiram o movimento, sem exceção", afirma Liuba, uma mineradora de 34 anos que organizou a paralisação do trabalho. "Meu salário habitual é de 11 mil rublos (€ 242), mas só recebi 3 mil rublos em dezembro. Por enquanto, estamos vivendo dos legumes em conserva colhidos no verão passado; parei de comer carne, eu a deixo para as crianças". Os mineradores voltaram ao trabalho depois de três dias de greve, seguindo a promessa da direção de pagarem os atrasos antes do dia 15 de fevereiro. Mas até hoje, nada foi depositado ainda.

Na sede da empresa TchOuK, em Tcheliabinsk, Kostantin Strukov mexe nervosamente com sua caneta. "Nossos 6 mil funcionários são pagos em dia, não houve demissões, não temos medo da crise", garante o presidente do conselho de direção e principal acionário da empresa. As explicações serão breves. Ao se mencionar os salários atrasados e o depoimento de seus empregados, ele bruscamente põe um fim à entrevista: "Vocês não têm crise na França? Por que vêm remexer a lama aqui, fiquem na casa de vocês!"

Um nervosismo que traduz a amplitude dos problemas da indústria. As pequenas centrais elétricas a carvão, que constituíam os principais clientes, agora são deixadas para as centrais a gás, mais baratas.

O que é ainda pior, após anos de extração, o carvão que sobrou seria de qualidade medíocre. Algumas centrais elétricas da região também preferiram comprar sua matéria-prima no vizinho Cazaquistão,um melhor mercado e de melhor qualidade.

Resultado: a empresa, que extraía até 40 milhões de toneladas de carvão por ano, só produziu 2,3 milhões em 2008. "O fechamento das minas nos próximos meses é uma possibilidade real", teme Marina Morozova, jornalista em Korkino. A crise econômica, extinguindo a demanda, poderia aplicar um golpe fatal em uma indústria já moribunda. "No momento, a mina não é mais rentável", explica Marina Morozova. "Em resumo, não só o trabalho está mais escasso, como a direção assume mais riscos por economia, em detrimento da segurança. Quando acontecem os pequenos incêndios no interior da mina, eles são apagados sem se evacuar os mineradores que trabalham ali.
Antes, isso seria impensável!"

Em Kopeisk, outro lugar de extração de carvão de TchOuK, a situação não é melhor. Nesse "monogorod", cidade de uma só indústria, as minas começam a se esgotar. Um dos três locais de extração já foi fechado, enquanto as duas funcionam de forma lenta. A cada dia, os corredores da agência para o emprego são tomados por centenas de trabalhadores "dispensados", que vêm se inscrever para obter indenizações às vezes inferiores a 1000 rublos (€ 22).

Nessa pequena manhã de fevereiro, a diretora da agência, Svetlana Buldashova, abre com dificuldade um caminho entre a multidão para penetrar em um local superlotado, para explicar aos desempregados os seus direitos. "E isso é só o começo", ela diz entre duas apresentações. "Nas minas de Kopeisk, as grandes ondas de demissões devem acontecer em abril ou em maio..."

Que futuro haverá para os "monogorod" dos Montes Urais? Na ausência total de diversificação econômica, nenhuma alternativa à indústria carvoeira está prevista para esses grandes povoados de dezenas de milhares de habitantes. "As únicas ofertas de emprego em Kopeisk propõem empregos de segurança na entrada de pequenas lojas", diz com um sorriso amargo Vitali, um desempregado com cerca de 40 anos. "Daqui a alguns anos, só haverá os porteiros aqui... Mas, para vigiar o quê?"

A PRODUÇÃO DE CARVÃO

Produção
321 milhões de toneladas de carvão por ano (5ª maior do mundo)

Reservas
173 bilhões de toneladas, o que faz do país o segundo maior do mundo, atrás dos EUA.

Indústria
A Rússia conta 240 minas, a céu aberto ou subterrâneas. O setor carvoeiro ainda emprega 300 mil pessoas.

Terceira energia
O carvão constitui 16% das fontes de energia primárias na Rússia, logo atrás do petróleo, que corresponde a 19%, e do gás natural, responsável por 54%.

Recursos mundiais remanescentes
Segundo os analistas, o país possui 17% do carvão, mas de menor qualidade.

Fonte:Le Monde,Alexandre Billette

Em Korkino (Rússia) e Uol